Cuidar da vulva com o que ela realmente precisa. Existe muita informação por aí dizendo que a região íntima precisa estar sempre perfumada, sequinha e “completamente limpa”. Não precisa — e tentar isso costuma causar mais desconforto do que resolver. Este guia explica, de forma simples, o que é cuidado de verdade.

Na higiene íntima, mais produtos e mais lavagens não significam mais saúde.

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Vulva e vagina não são a mesma coisa

Uma se lava por fora; a outra se limpa sozinha

VulvaA parte de fora — higiene externa
capuz do clitóris uretra entrada da vagina grandes lábios pequenos lábios

É a região externa: grandes e pequenos lábios, capuz do clitóris e a entrada da vagina. Só ela precisa ser lavada — com delicadeza, por fora.

VaginaO canal interno — não lavar por dentro
saída natural

É o canal interno, e ele tem mecanismos próprios de limpeza e proteção. Não é preciso introduzir água, sabonete nem qualquer produto ali dentro.

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Como lavar, na prática

Simples, rápido e sem esfregar

Faça
  • Lave somente a parte externa, a vulva
  • Use água corrente — na maior parte das vezes é o suficiente
  • Se quiser usar sabonete, aplique pouca quantidade e só por fora
  • Faça movimentos delicados, com as mãos, sem esfregar
  • Enxágue bem, para não deixar resíduo
  • Seque suavemente, dando leves toques com a toalha
  • Lave as mãos antes e depois
  • Troque roupas molhadas ou suadas assim que puder
Evite
  • Esfregar ou friccionar a região repetidas vezes
  • Introduzir os dedos para “limpar por dentro”
  • Apertar, cutucar ou tentar retirar as secreções naturais
  • Buchas, esponjas e escovas
  • Duchas vaginais
  • Lenços íntimos de forma repetida
  • Perfumes, desodorantes íntimos, talcos e antissépticos
  • Pomadas ou medicamentos sem indicação
  • Lavar em excesso depois da relação sexual
Frequência, cheiro e manipulação

Com que frequência? Não existe um número igual para todas. A frequência muda conforme o clima, a atividade física, a menstruação e a sua rotina — mas lavar várias vezes ao longo do dia geralmente não é necessário e pode ressecar e irritar a pele.

Sobre o cheiro: toda vulva tem um odor próprio, e isso é normal. Odor natural não é sinal de falta de higiene.

E sobre manipular: ficar tocando, apertando ou examinando a região o tempo todo pode causar pequenas lesões, irritação e aumentar a sensação de desconforto.

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Roupas, calcinhas e menstruação

O que ajuda no dia a dia, sem regras rígidas

A calcinha e a roupa
No dia a dia
Prefira calcinhas de algodão e peças confortáveis, que não apertem nem causem atrito.
Roupa úmida
Evite ficar muito tempo com roupa de academia, biquíni molhado ou peças suadas.
Tecidos abafados
Evite por períodos prolongados — o que não quer dizer que tecido sintético cause infecção.
Dormir sem calcinha
Pode ser uma opção para quem se sente confortável. Não é obrigação.
Algodão × absorvente
São coisas diferentes: a calcinha de algodão é para o dia a dia; a calcinha absorvente é um produto específico para os dias de menstruação.
Como lavar as calcinhas
À mão ou na máquina
As duas formas servem. Use sabão suave e em pouca quantidade.
Enxágue
Enxágue muito bem, para não sobrar resíduo no tecido.
Amaciante e perfume
Evite excesso de amaciante, perfumes e produtos irritantes.
Secagem
Deixe secar completamente, em local ventilado, e não guarde a peça ainda úmida.
Não é preciso
Ferver, esterilizar ou usar antisséptico. Lavar no banheiro não é um problema em si — o que evitar é secar a peça em ambiente sempre úmido.
Durante a menstruação
Trocar conforme o fluxo
Absorventes e calcinhas absorventes se trocam de acordo com o fluxo, a umidade e o tempo de uso indicado pelo fabricante. Não fique muitas horas com o produto úmido.
A escolha é sua
Absorvente externo, calcinha absorvente, coletor ou outras opções — vale o conforto e a adaptação de cada pessoa. Se aparecer irritação, ardor ou alergia, interrompa o produto e procure orientação.
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Algumas opções que costumo recomendar

Opções, e não obrigações

Produtos
Uso externo, sempre em pequena quantidade
Sabonete
Gino-Canesten Calm
Sabonete íntimo em gel. A mesma linha tem a versão Diário Puro Cuidado, descrita pelo fabricante como 0% fragrância, sem parabenos, álcool e corantes.
Sabonete
Granado Glicerina Tradicional
Sabonete de glicerina vegetal, o da embalagem amarela. A fórmula contém fragrância — se causar qualquer ardor, troque.
Sabonete
NUAÁ — sabonete íntimo em espuma
Em espuma, com versões diferentes na linha. Vale a mesma regra: pouca quantidade, só por fora.
Menstruação
Amai — absorvente
Absorvente externo com cobertura de algodão orgânico. Trocar conforme o fluxo e o tempo de uso indicado pelo fabricante.
Menstruação
Pantys — calcinha absorvente
Calcinha absorvente lavável. O fabricante indica uso de até 12 horas conforme o fluxo, e lavagem em água até 30 °C com sabão neutro, sem amaciante nem alvejante.
Quando procurar avaliação médica
Sinais para não ignorarCoceira persistente, ardor, feridas, fissuras ou bolhas, dor, corrimento diferente do habitual, odor novo, sangramento, dor ao urinar — ou sintomas que voltam sempre.
Isso não é falta de higieneNenhum desses sintomas significa que você não se cuidou — e aumentar as lavagens costuma piorar o quadro.
Nem toda coceira é candidíaseCoceira e corrimento têm várias causas, e cada uma tem um tratamento diferente. Usar pomada por conta própria pode aliviar por dias e atrasar o diagnóstico correto.

Este material é informativo e não substitui a consulta médica. Ele traz orientações gerais de cuidado com a vulva. Se você tem algum sintoma, um diagnóstico já conhecido ou está em tratamento, converse comigo antes de mudar a sua rotina.

Fontes consultadas
1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Ask ACOG: Is it safe to douche during pregnancy?acog.org
2. National Health Service (NHS), Reino Unido. Vaginal discharge, 2025 — nhs.uk/symptoms/vaginal-discharge
3. Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG). Skin conditions of the vulva (informação para pacientes) — rcog.org.uk
4. British Association of Dermatologists. Care of Vulval Skin, atualizado em fevereiro de 2020 — skinhealthinfo.org.uk
5. International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD). Stockdale CK, Lawson HW. 2013 Vulvodynia Guideline Update, 2014 — issvd.org
6. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Mulheres podem aprender sobre saúde íntima quebrando tabus, 2023 — febrasgo.org.br